quinta-feira, 14 de novembro de 2019

CNT APRESENTA PROPOSTAS QUE DEVEM SER PRIORIZADAS PELO PRÓXIMO GOVERNO FEDERAL

Documento detalha assuntos que merecem atenção na gestão 2019-2022; Confederação divulga lista com 60 projetos de transporte essenciais para o país

Os temas prioritários e sensíveis que merecem destacada atenção durante a gestão 2019-2022 estão detalhados em 112 páginas. No material, a Confederação também apresenta 13 fichas com os principais problemas e soluções para o Brasil, com foco no setor de transporte. O documento lista ainda 60 projetos de infraestrutura considerados como primordiais para que o sistema de transporte se torne cada vez mais eficiente.

“O transporte é um dos pilares básicos do desenvolvimento de um país. Pensar no Brasil sem um sistema de transporte eficiente e robusto é mantê-lo estagnado, ou pior, é deixá-lo preso ao passado. E o Brasil precisa se movimentar em direção ao futuro. A CNT acredita que este é o momento propício para isso”, ressalta o presidente da Confederação, Clésio Andrade. 

Para a manutenção rodoviária, a CNT propõe, por exemplo, a criação de um programa de PPPs (Parcerias Público-Privadas) que use recursos da Cide-combustíveis para financiar a contrapartida federal e a cobrança de pedágio por parte da iniciativa privada. Para as ferrovias, a instituição considera essencial a efetivação da política de prorrogação antecipada dos contratos de concessão. 

No setor aquaviário, é urgente o aprimoramento do sistema Porto sem Papel, que desburocratiza a atividade portuária e deveria garantir o seu funcionamento nos portos e TUPs (Terminais de Uso Privado) durante 24 horas por dia. Para garantir a melhoria da infraestrutura aeroportuária e da qualidade dos serviços prestados, o modelo de concessões de novos terminais deve ser reformulado seguindo as regras adotadas na quinta rodada, e é preciso ser criada uma política tributária que torne menos onerosa a cobrança do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre o querosene de aviação, um dos principais insumos das empresas aéreas.

Em relação à mobilidade urbana, o documento da CNT trata como prioritária a disponibilização de apoio técnico e financeiro para o desenvolvimento dos Planos Municipais de Mobilidade. Outro tema sensível é o meio ambiente. Para a Confederação, é essencial a criação de um programa nacional de eficiência energética para o setor rodoviário de cargas e o estímulo ao uso do biocombustível na aviação, além da associação da política de mistura do biodiesel ao diesel a um programa de inovação tecnológica que garanta maior eficiência dos veículos. 

Na parte de capacitação profissional, o documento, elaborado em parceria com o SEST SENAT, sugere a criação de um exame nacional para avaliação de instituições e alunos/egressos de educação profissional, além da alteração do Código de Trânsito Brasileiro para reduzir a idade mínima e o lapso temporal exigido para a realização do processo de mudança de categoria aos motoristas que desejam se tornar profissionais. “O transporte move o Brasil. Essa é a oportunidade de se corrigirem os erros do passado e de preparar o país para um novo ciclo de crescimento econômico sustentado”, afirma Clésio Andrade. 

Confira as propostas emergenciais que devem ser iniciadas pelo governo já em 2019:


Promoção de PPPs para a manutenção rodoviária;
Aprovação da Reforma do Sistema Tributário Nacional, visando à diminuição da burocracia e da carga tributária;
Simplificação da legislação de debêntures de infraestrutura como forma de viabilizar novos investimentos para o setor de transporte;
Descontingenciamento dos recursos do Funset para que sejam executados em suas destinações legais;
Publicação de normativos para regulamentar a lei nº 13.448/2017, que trata da devolução de concessões rodoviárias, sobretudo as da terceira etapa;
Ampliação da abrangência do programa BR-Legal de modo a renovar a sinalização das rodovias federais;
Apoio técnico e financeiro para o desenvolvimento dos Planos Municipais de Mobilidade;
Prorrogação antecipada dos contratos de concessão ferroviária;
Criação de um programa nacional de renovação da frota de veículos rodoviários pesados;
Aprimoramento do sistema Porto sem Papel;
Desburocratização e facilitação dos processos de regularização ambiental.

AS DEZ MAIORES TRANSPORTADORAS DO BRASIL

1) Braspress Transportes Urgentes

Primeiramente, está a Braspress. Essa é uma das empresas líderes do transporte de encomendas no Brasil. Fundada em 1977, pelo empresário Urubatan Helou, os números impressionam:

  • -96 milhões de quilômetros rodados a cada ano no Brasil;
  • -Mais de 1.200.000 despachos por mês;
  • -60 mil entregas diárias;
  • -2 mil caminhões e 800 veículos agregados;
  • -8 mil colaboradores;
  • -96 filiais próprias espalhadas nos diversos estados brasileiros.

2) TNT Mercúrio Cargas e Encomendas Expressas

Em segundo lugar, fica a TNT, sendo uma das maiores transportadoras do Brasil e do mundo. Além disso, é especializada em entregas expressas e em 2016 foi comprada pelo grupo FedEx. Como resultado, veja alguns dados sobre ela:

  • -Cerca de 1 milhão de remessas entregues todos os dias;
  • -Serviço rodoviário e aéreo na Europa, Oriente Médio, África, Ásia e nas Américas, incluindo o Brasil;
  • -US$ 69 bilhões de faturamento mundial;
  • -Mais de 450.000 funcionários espalhados pelo mundo.

3) Rodonaves Transporte e Encomendas

Imediatamente, seguindo o ranking das maiores transportadoras do Brasil, criada em 1970 por João Naves como uma empresa de ônibus rodoviários, a Rodonaves. Apesar disso, se especializou em transportes em 1980 e de fato não parou de crescer nesse ramo:

  • -Mais de 250 unidades de atendimento;
  • -Cerca de 50 mil coletas e entregas por dia;
  • -Atende mais de 3.500 cidades;
  • -Centros de carregamento 24 horas;
  • -Mais de 2.700 veículos.

4) Patrus Transportes Urgentes

Logo depois está a Patrus, com mais de 45 anos de fundação. A empresa conta com 75 unidades no Sul, Sudeste, Bahia, Sergipe e Ceará. Antes de mais nada, é especializada em cargas fracionadas e é licenciada também para o transporte de produtos farmacêuticos e da área de saúde.

5) Jamef Transportes

Além das empresas já vistas até aqui, entre as maiores transportadoras do Brasil está a Jamef, criada em 1963 por José Alves Martins. Confira alguns dados sobre ela:

  • -Mais de 800 veículos, entre utilitários, leves, médios, semi-pesados e pesados;
  • -Frota rastreada via satélite 24 horas;
  • -Transporte aéreo e rodoviário;
  • -30 unidades espalhadas pelo Brasil;
  • -Mais de 1.000 veículos próprios.

6) Alfa Transportes

Por outro lado, em 1990, a Alfa Transportes foi inaugurada por membros de três famílias. Dessa maneira, no início eram 6 veículos e atuava apenas em Santa Catarina e no Paraná. Hoje, juntamente com as outras do ranking, é uma das maiores transportadoras do Brasil, atendendo 6 estados, além do Distrito Federal, com 18 filiais e mais de 140 agências exclusivas. A frota conta com veículos utilitários, leves, médios, semi-pesados e pesados.

7) Expresso São Miguel

Assim também, está a Expresso São Miguel. Criada em 1995, além de contar com um aplicativo para acompanhamento em tempo real dos transportes, a empresa tem:

  • -Mais de 1.000 veículos rastreados;
  • -Atendimento a mais de 700 cidades brasileiras;
  • -500 colaboradores;
  • -Mais de 130 pontos de atendimento.

8) Transportes Translovato

Do mesmo modo, desde 1979, a companhia tem crescido e se firmado como uma das maiores transportadoras do Brasil. Aliás, entre suas características estão o uso de tecnologia para carregamento, mais de 1.000 veículos como parte da frota, incluindo veículos leves, médios, semi-pesados e pesados e unidades espalhadas em todo o país.

9) FL Brasil Holding (Atlas Transportes)

Nesse ínterim, como parte do grupo Atlas Transportes, a FL Brasil é uma empresa que contribui para números que impressionam:

  • -76 pontos de atendimento;
  • -500 funcionários;
  • -000 m² de armazéns;
  • -300.000 viagens por ano;
  • -000 pontos de entrega;
  • -300 veículos.

10) Ativa Distribuição e Logística

Por fim, fundada em 1996, a Ativa conta com uma frota de mais de 800 veículos próprios e rastreados via satélite. Simultaneamente, ela faz transporte aéreo e possui armazéns em diversos pontos do país, com direito a espaços climatizados, câmara fria e segurança com monitoramento 24 horas.

ESTUDO REVELA DIFICULDADES DO TRANSPORTE DE CARGAS EM CENTROS URBANOS

Análise em sete regiões metropolitanas aponta problemas que aumentam o custo operacional e reduzem a qualidade do serviço.

A CNT (Confederação Nacional do Transporte) divulgou hoje (16/4) o estudo “Logística Urbana: Restrições aos Caminhões?”, no qual são analisadas as condições do transporte de carga em sete regiões metropolitanas do país: São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR), Porto Alegre (RS), Goiânia (GO), Recife (PE) e Manaus (AM).

Os resultados mostram que a urbanização acelerada do Brasil, nas últimas décadas, trouxe complexidade e desafios para a logística de abastecimento das cidades onde vive 84% da população brasileira e circulam 96,7 milhões de veículos automotores.

Nesse cenário, transportadores, gestores públicos e empresários lidam com variados graus de dificuldade para melhorar o transporte de cargas em centros urbanos. É preciso compatibilizar as demandas do comércio e do setor de serviços com a variedade e o volume crescente de consumo da população e, ainda, com a necessidade de melhorar a qualidade de vida nas cidades, reduzindo os congestionamentos e a poluição ambiental. 

O estudo constatou uma variedade de regras e de restrições à circulação de caminhões em centros urbanos, somada a problemas de infraestrutura, sinalização e fiscalização, entre outras deficiências que têm impacto sobre a atividade transportadora. Isso dificulta o planejamento do transporte de cargas, aumenta os custos operacionais e diminui a qualidade dos serviços de abastecimento das cidades.

Para a Confederação Nacional do Transporte, é preciso aprimorar as políticas públicas de trânsito, investir em infraestrutura, sinalização e fiscalização, ampliar vagas de carga e descarga e aumentar a segurança nas cidades, entre outras providências para que o transporte de mercadorias em centros urbanos seja mais rápido, eficiente e de baixo custo. 


Principais barreiras 


Veja quais foram os problemas mais comuns encontrados pelos técnicos da CNT ao estudarem as condições do transporte de cargas nas cidades que compõem as sete regiões metropolitanas analisadas: 
Falta de planejamento. Na maioria dos casos, os municípios implantam restrições ao transporte de carga sem dialogar com os setores envolvidos e sem integrar suas regras de trânsito com as normas de transporte dos demais municípios da região. Além disso, muitos municípios criam legislações para o transporte de cargas, mas não as divulgam ou não colocam as regras em prática. 
Carência de dados e estudos para embasar políticas públicas de transporte de cargas em áreas urbanas. Esse problema está associado a uma ideia simplista de que a mera proibição ao trânsito de caminhões em determinadas zonas e vias resolveria os problemas de congestionamentos, poluição, etc. 
Grande variação de regras de restrição ao transporte de carga dentro de um mesmo município ou em relação aos outros municípios que integram a região metropolitana. As regras mudam de um bairro para o outro, de um município para o outro, dificultando o planejamento do transporte de cargas. 
Proibições de trânsito em dias e horários determinados obrigam os caminhões de carga a circular nas chamadas “janelas horárias”. Esse modelo de restrição dificulta o planejamento das entregas por razões, como congestionamentos e condições de recebimento de cargas. O comércio, em especial os supermercados e shoppings, adota critérios próprios de recebimento de carga que, muitas vezes, não são compatíveis ou entram em conflito com as restrições determinadas pelo poder público.  
Falta de sinalização; sinalização precária ou mesmo em contradição com o normativo sobre o transporte de cargas. 
Fiscalização de trânsito insuficiente para garantir o cumprimento das regras e a fluidez do transporte de cargas. 
Baixa oferta de vagas de carga e descarga e ocupação indevida dessas vagas por outros tipos de veículos.
Aumento do número de viagens devido à imposição de uso de veículos menores. 
Falta de locais adequados e seguros de parada e descanso para motoristas que aguardam para entrar em cidades em períodos de restrição. Esse é um problema que tem agravado a insegurança sofrida pelos transportadores, sendo o roubo de cargas o tipo de ocorrência mais comum.
Baixo investimento em obras de infraestrutura, principalmente em anéis viários.  

Consequências


Os problemas encontrados pela CNT têm forte impacto nos custos e na qualidade do serviço de transporte de cargas em áreas urbanas conforme descrito a seguir: 
Aumento dos custos operacionais do transporte rodoviário de carga.  Em alguns casos, as barreiras encontradas pelos transportadores têm gerado taxas extras que incidem sobre o preço do frete. Dois exemplos são a Taxa de Dificuldade de Entrega (TDE), negociada a partir de um piso de 20% sobre o valor do frete; e a Taxa de Restrição do Trânsito (TRT), calculada em 15% do frete.

Baixa previsibilidade da entrega de mercadorias. Além dos congestionamentos e das retenções de trânsito, muitas vezes, o planejamento do transportador é alterado de forma imprevisível devido à falta de clareza e de transparência sobre as restrições ao transporte de carga.
Aumento da emissão de poluentes e ruídos. Restrições mal planejadas podem acarretar congestionamentos, filas de descarga, aumento do número de viagens, rotas mais longas e inadequadas e outros transtornos que aumentam os ruídos produzidos pelo trânsito e a emissão de gases poluentes na atmosfera. 
Riscos de acidentes. Sinalização deficiente ou mesmo ausência de sinalização, janela de horário noturna e outras restrições são fatores que elevam o risco de acidentes. 

Principais soluções apontadas pela CNT


Aprimorar as políticas públicas e o planejamento. Incluir o transporte de carga no planejamento urbano e nas políticas de trânsito, integrando todos os municípios das regiões metropolitanas; realizar gestão democrática e ampliar o controle social de todos os setores interessados: transportadores, embarcadores, compradores, fabricantes, distribuidores, empresas de Transporte Rodoviário de Carga - TRC, Transportadores Autônomos de Carga - TAC, operadores logísticos, atacadistas, varejistas e consumidores finais.  
Melhorar a sinalização e a fiscalização de trânsito. Divulgar, dar mais clareza e visibilidade às restrições ao transporte de carga, divulgar rotas alternativas e ampliar a fiscalização, especialmente nas áreas de carga e descarga. 

Ampliar a oferta de vagas de carga e descarga e as janelas horárias para entregas e coletas.

Aumentar a segurança. Ampliar a oferta de locais de parada e descanso associados a centros de distribuição de mercadorias.
Ampliar o investimento em infraestrutura. Realizar obras de manutenção e de expansão da infraestrutura urbana, especialmente em anéis rodoviários. 

OS SETE MAIORES DESAFIOS DA LOGÍSTICA DE TRANSPORTE

1. Terceirização dos serviços logísticos

A grande maioria das empresas já reconhece os benefícios da terceirização dos serviços logísticos, optando pela contratação de empresas especializadas para simplificar a rotina de tarefas, economizar recursos e aumentar a produtividade.
No entanto, para que a terceirização possa ser, de fato, uma vantagem estratégica, é preciso contar com bons fornecedores logísticos, sendo que os critérios adotados pelos gestores durante a contratação dos parceiros nem sempre são os mais adequados.
Sem uma parceria de qualidade, é impossível fazer com que os produtos cheguem aos clientes no prazo certo e com as suas características totalmente preservadas. Nesses casos, as rotas percorridas são ineficientes, falta um controle adequado de avarias, e a comunicação com a empresa contratada é falha.
Por isso, ao contratar um fornecedor logístico, é preciso levar em conta questões como:
  • a reputação que o fornecedor logístico possui no mercado;
  • a adaptação dos serviços de transporte oferecidos às necessidades da empresa contratante;
  • os preços praticados para executar todas as entregas com excelência;
  • as condições e cláusulas do contrato de prestação de serviços;
  • o nível de produtividade a partir do qual o fornecedor mantém o compromisso firmado inicialmente.
Outro desafio atual da logística de transporte diretamente relacionado à terceirização dos serviços logísticos é a gestão de transportadoras, conforme explicaremos a seguir.

2. Gestão de transportadoras

Considerando a grande pressão por resultados vivenciada pelas empresas dos mais diversos segmentos, a gestão de transportadoras possui uma grande importância estratégica dentro da logística de transporte.
Apesar dessa constatação, muitas empresas ainda cometem erros que acarretam prejuízos para os clientes e para o negócio de maneira geral, comprometendo o seu desempenho no mercado.
As lacunas percebidas no relacionamento com esses parceiros vão desde o hábito de negligenciar o planejamento estratégico para coordenar a atuação das transportadoras até a ausência completa de ações de monitoramento de resultados.
Por outro lado, tão importante quanto coordenar o trabalho da transportadora contratada de forma eficiente é saber quais atitudes e padrões de atuação devem ser esperados da prestadora de serviços, tendo em vista a melhoria contínua das operações logísticas.
Sendo assim, as melhores transportadoras são assim classificadas por atuarem com flexibilidade e estarem sempre à disposição dos contratantes, agindo com rapidez na solução de problemas.
Essas transportadoras possuem uma frota moderna e com manutenção em dia, contam com profissionais capacitados e cumprem com todas as obrigações legais exigidas para o transporte de carga no Brasil.
É exatamente com esse tipo de fornecedor logístico que a sua empresa deve firmar parcerias para atender às necessidades dos clientes de maneira qualificada e garantir o sucesso das iniciativas de fidelização, conquistando confiança e admiração do público consumidor.
O bom trabalho na gestão de transportadoras facilita a superação de outro grande desafio da logística de transporte, o qual vem desafiando o planejamento estratégico das empresas de forma ainda mais notável ao longo da crise financeira e política que o país atravessa: a defasagem do frete.

3. Defasagem do frete

O gerenciamento do frete, por si só, representa um desafio gigantesco para as empresas dos mais variados segmentos, que precisam fazer suas entregas de forma rápida e segura, sem comprometer a qualidade da sua atuação junto aos clientes.
Porém, a crise enfrentada pela economia brasileira agravou a defasagem do frete, fazendo com que a logística de transporte tenha que lidar com valores ainda mais baixos do que os comumente praticados no mercado.
Para se ter uma ideia da dimensão desse problema na atualidade, basta observar as informações divulgadas pela Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística), em agosto de 2017.
Segundo a pesquisa feita pela entidade em parceria com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a defasagem do frete nas operações de transporte rodoviário de cargas é de 20,89%.
Em se tratando do transporte de cargas fracionadas, o índice de defasagem é relativamente menor, mas igualmente preocupante, tendo sido observado um déficit de 7,72% nos preços praticados.
Com números como esses, toda a cadeia logística das empresas acaba sendo afetada, assim como os seus índices de produtividade, já que é preciso reduzir os custos de produção ao máximo para tentar equilibrar as perdas observadas com os valores de frete cada vez mais abaixo da média ideal.
Dessa forma, para lidar com todos os problemas desencadeados pela defasagem do frete, as empresas precisam, primeiramente, investir em um bom programa de gerenciamento de riscos, adotando uma postura proativa para antecipar demandas e criar soluções efetivas para sobreviver em meio à crise.
De fato, um bom gerenciamento de frete deve estar atento à muitas outras questões, que extrapolam a observação dos preços praticados pelas transportadoras, tais como:
  • os valores e o pagamento das taxas exigidas para as operações sob análise;
  • a emissão correta de todos os documentos legais;
  • a abrangência das operações no que diz respeito à cobertura da malha viária e à existência de restrições de envio;
  • a contratação do seguro de cargas e a adoção de outras medidas relacionadas à segurança no transporte de mercadorias.
Na verdade, a segurança das cargas, dos veículos e dos motoristas representa um dos maiores desafios da logística de transporte na atualidade. Continue a leitura e entenda o porquê dessa afirmação.

4. Segurança do transporte de cargas

Não é de hoje que a falta de segurança no transporte de cargas se tornou um dos maiores problemas enfrentados pelos empresários no Brasil. A atuação de quadrilhas especializadas causa danos ao patrimônio e coloca a vida das pessoas em risco, sendo que as últimas pesquisas realizadas sobre o problema não são nada animadoras.
De acordo com os dados apurados pela NTC&Logística, em 2016, foram registrados quase 25 mil ocorrências de roubo de cargas no país, ocasionando um prejuízo de mais de R$1.300.000,00 (um milhão e trezentos mil reais) para as empresas afetadas.
Ainda segundo a entidade, as cargas mais atingidas pela ação dos bandidos são produtos de gênero alimentício, cigarros, bebidas, combustíveis, produtos eletrônicos, produtos farmacêuticos ou químicos e peças de automóveis.
Embora a região metropolitana do Rio de Janeiro sempre tenha se destacado pelos altos índices de violência, mantendo o estado fluminense no topo da lista de ocorrências, os números observados em Minas Gerais precisam ser considerados com cautela, uma vez que as estradas mineiras já ocupam a terceira posição no ranking do roubo de cargas.
Nesse contexto ameaçador, a contratação do seguro de cargas torna-se uma conduta obrigatória, necessária para garantir o ressarcimento de transportadoras e empresas diante das perdas causadas pela ação dos criminosos, além de proteger as mercadorias em caso de acidentes automobilísticos ou de más condições de armazenamento durante o transporte.
Além da contratação dos adicionais de seguro para compensar os prejuízos gerados pelo roubo de cargas, as empresas devem investir na adoção de medidas preventivas, baseadas em questões essenciais do planejamento de rotas, tais como:
  • capacitação dos motoristas e demais colaboradores para saberem como agir durante a abordagem dos bandidos;
  • definição de rotas variadas para as entregas, evitando ao máximo o horário noturno e os trechos com maior índice de assaltos;
  • avaliação da necessidade de contratação de uma escolta armada.
Entretanto, a execução de ações efetivas no combate ao roubo de cargas depende, diretamente, do emprego qualificado da tecnologia na logística de transporte, questão que representa mais um dos grandes desafios da atualidade.

5. Emprego qualificado da tecnologia

Ao longo das últimas décadas, a automação dos processos logísticos e da gestão empresarial como um todo tornou-se uma tendência inegável, sendo que as empresas que ainda negligenciam o emprego qualificado da tecnologia correm o risco de não sobreviver no futuro próximo.
Recentemente, estamos assistindo ao surgimento de novas áreas em logística, que oferecem demandas bastante específicas para o transporte de mercadorias, entre as quais é possível destacar a experiência do e-commerce e o conceito de same day delivery (entrega no mesmo dia, na tradução literal para o português).
Para a logística de transporte, os diversos softwares, aplicativos e demais inovações surgidas a cada ano constituem um fator de modernização e especialização, fazendo com que todas as operações realizadas ganhem em produtividade e economia de recursos.
De fato, a gestão de estoque, o gerenciamento de riscos, a rotatividade de produtos, a armazenagem e movimentação das mercadorias e todas as demais operações logísticas são favorecidas pelo uso das ferramentas tecnológicas desenvolvidas especificamente para dar suporte à logística.
Dessa forma, é possível afirmar que a eficiência no transporte de cargas é diretamente proporcional aos investimentos em logística feitos pelas empresas na atualidade, não importando a extensão da sua presença no mercado ou o tipo de produtos e serviços oferecidos ao público consumidor.
Assim sendo, a tecnologia e a inovação são os conceitos que devem estar no centro da visão adotada pelos gestores responsáveis por acompanhar as tendências do mercado e promover a integração dos processos logísticos da empresa.
É preciso garantir a consolidação de rotinas de trabalho flexíveis e atualizadas, capazes de acolher as demandas em constante alteração e o aumento do nível de exigência do mercado.
Além disso, os gestores devem estar bem atentos ao perfil do consumidor moderno, cada vez mais consciente dos seus direitos e mais exigente no que diz respeito à qualidade do processo de entrega, evento que representa outro grande desafio da logística de transporte.

6. Eficiência e rapidez na logística de entrega

Definitivamente, entregar mercadorias sem qualquer avaria e dentro do prazo proposto para o cliente no momento da compra não é uma tarefa simples para as empresas brasileiras.
Como se não bastassem os problemas gerados pela insegurança no transporte de cargas devido aos altos índices de roubo e as lacunas causadas pelo mau emprego da tecnologia, os empreendedores e gestores precisam lidar com outro fator extremamente prejudicial para a qualidade do serviço de entrega: as más condições das estradas.
Infraestrutura precária, falhas na pavimentação das rodovias, sinalização ineficiente e trajetos extensos e malplanejados elevam os custos da logística de transporte e causam um aumento tanto na quantidade de tempo necessária para realizar as entregas quanto nos danos causados às mercadorias devido a acidentes ou falhas no armazenamento.
Diante desse cenário, a logística de entrega representa, simultaneamente, um desafio e uma oportunidade de crescimento para as empresas, desde que elas se proponham a otimizar suas práticas e a trabalhar de forma constante pela melhoria dos resultados em todas as ações efetivadas desde o momento que o produto sai do estoque até a hora em que ele chega às mãos do consumidor.
Por meio de ações relacionadas à inteligência geográfica e ao planejamento de rotas, além das ações preventivas contra o roubo de cargas e do emprego qualificado da tecnologia, as empresas podem melhorar sua performance e construir um relacionamento de confiança com seus clientes a partir da eficiência e rapidez nas entregas.
Sendo assim, a logística de entrega representa uma das mais recentes tendências do transporte de mercadorias, tornando-se um fator de extrema importância para a fidelização de clientes, permitindo que as empresas tenham um desempenho superior ao de seus concorrentes.
Além das exigências quanto à rapidez no recebimento dos produtos adquiridos, o consumidor atual está cada vez mais interessado em conhecer a postura da empresa com a qual ele se relaciona no que diz respeito à preservação do meio ambiente e à sustentabilidade, o que chama atenção para a necessidade de implementação da logística reversa.
Esse é o último desafio da logística de transporte sobre o qual falaremos no post de hoje!

7. Implementação da logística reversa

A logística reversa pode ser definida como o controle sistematizado do fluxo de materiais e produtos de uma empresa, desde o início da cadeia produtiva até a entrega no local de consumo e, posteriormente, de descarte dos resíduos.
Esse modelo logístico não é recente e seu surgimento foi desencadeado pelo crescimento da preocupação da sociedade mundial com a preservação ambiental e com a sustentabilidade das comunidades e dos negócios.
Nas bases da logística reversa estão o reconhecimento do problema de lotação dos aterros sanitários e a preocupação com o esgotamento das matérias-primas disponíveis na natureza, assim como o compromisso com o respeito às leis que protegem o meio ambie
No Brasil, algumas empresas já demonstram comprometimento com essas questões e procuram adotar iniciativas como a utilização de embalagens retornáveis e a adoção de sistemas de coleta seletiva de resíduos, entre outros exemplos.
No entanto, a implementação da logística reversa ainda representa um grande desafio para muitas empresas, que ainda não conseguem adequar suas práticas às exigências das novas resoluções ambientais em prática no Brasil nem acompanhar a evolução da gestão empresarial quanto à responsabilidade social e à sustentabilidade.
Os gestores devem ampliar as ações de acompanhamento da vida útil dos produtos por meio de ações específicas para lidar, por exemplo, com as mercadorias devolvidas com defeitos de fabricação ou devido à desistência de compra por parte dos clientes.
Para que tais avanços sejam possíveis, no entanto, as empresas devem investir na valorização do fator humano, pois somente o engajamento de toda comunidade organizacional pode promover o bom desempenho não apenas nas ações de logística reversa, mas na logística de transporte como um todo.

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

ROUBOS DE CARGAS CRESCEM NO RIO DE JANEIRO, MESMO COM INTERVENÇÃO MILITAR

         A ocorrência de roubos de cargas no Rio de Janeiro vem mostrando uma ascensão vertiginosa nos últimos anos. Os números de março deste ano são 3,5 vezes maiores que os do mesmo período de 2013, subindo de 262 para 917 registros em cinco anos. Nem mesmo a intervenção federal no Estado conseguiu reduzir altos índices do crime.  Só nesta semana, uma carga de celulares de R$ 3,4 milhões foi roubada no aeroporto Tom Jobim, o Galeão, e um motorista de um caminhão que transportava bebidas e a esposa foram mantidos reféns na comunidade Kelson’s, na Penha, ambos na zona norte.
          O diretor de segurança do Sindicarga (Sindicato de Empresas de Transporte Rodoviário e Logística do Rio de Janeiro), coronel Venâncio Moura, afirmou que vem observando o aumento dos índices de roubo de carga desde 2014. Segundo ele, as autoridades de segurança do Estado foram advertidas, mas não houve resposta. 

          A intervenção federal na segurança pública do Rio teve início em fevereiro deste ano. Neste período, foram registrados 742 roubos de carga. Após o primeiro mês da ação das Forças Armadas, o número aumentou para 917. Coronel Venâncio não vê nenhuma melhora nos índices após o decreto do presidente do Michel Temer.

"Essa intervenção federal não diminuiu o roubo de cargas. Pelo contrário, aumentou. Houve um aumento substancial nos índices.Porque perceberam [os bandidos] que a polícia não tem recursos. As Forças Armadas esperam aporte financeiro. Esse R$1 bilhão que vão receber chega só para tapar buraco", afirmou.

          A Secretaria de Estado de Segurança informou, por meio de nota, que vem tentando combater o crime com a criação do Grupo Integrado de Enfrentamento ao Roubo de Cargas, através da integração das forças de segurança do Estado e da União. Além disso, a entidade afirmou que vem realizando ações, como a Operação Dínamo, iniciada na última semana, em locais onde a mancha criminal do roubo de veículos é alta, baseando a estratégia na análise de dados do ISP (Instituto de Segurança Pública).

Mesmo com intervenção militar, roubos de cargas crescem no Rio

Disponivel em:
 
https://www.destakjornal.com.br/cidades/rio-de-janeiro/detalhe/roubo-de-cargas-segue-crescendo-no-rio-apesar-da-intervencao  Acesso em: 01 Nov. 2019